Corri mundos em flecha. Imagens à velocidade da luz queimam-me as pálpebras. O ardor e o odor a carne queimada faz-me sentir em casa. As nuvens de fumo sobem até ao tecto, para morrerem e pairarem sobre o éter. Uma cara ganha forma. (Será o meu longo e distante amigo cuja voz me acompanha?)
Já não consigo respirar. Dói-me o simples pestanejar. Estou semi-morto. Um trapo. Não, um trapo não, estou apenas retido num mundo seco e disforme. É isso.
Boa... já aprendeste a regurgitar a decadência sob a forma de auto-(des)crença. Continua.
Sim, quero resguardar o corpo das intempéries. Escorrego cada vez que me levanto e dou o passo seguinte. Sinto o destino longínquo. Mundos, muitos mundos. Muitas retinas e queimaduras tão perto. Sinto o vómito a saborear o pescoço. Caio no fundo. O poço rasga-se na carne em sentido espiral cuja direcção aponta para fora do quarto. Será o Céu? Tão abalado espírito conseguirá atingi-Lo? Não. Quero dormir. Isso.
Que deleite.
Isso, adormece em plena insónia. Que admirável mundo novo...
