Hoje observei-me a mim próprio. É verdade, consegui entrever a minha própria subjectividade. Desloquei-me de mim mesmo e objectivei-me em mim próprio, desdobrando-me perante essa infinidade de espaço que a imaginação frui. Hoje foi o dia da minha fragmentação. Multipliquei-me nos meus 'eus' e representei-me ao longo da História. Revigorei-me na minha esquizofrenia e impedi-me de me dissolver na passagem do ego pelo romantismo do mundo. Feri-me na experiência da minha análise subversiva. Transportei-me para outro plano estético e político do meu pensamento dividido.
Inaugurei uma nova problemática no meu esquematismo conceptual, agora ausente e distante insurgida na memória do meu passado que apenas recordo parcamente. Morro no desgosto de não saber e caminhar o sofrimento da vida e do meu existir, mas sinto-o desgastado na minha multiplicidade e fractura. Não analiso o objecto como um, mas como vários que se desdobram no objecto e aumentam a minha multiplicidade infinita e barbárica.
A loucura sorveu-me o apetite de falência do meu próprio espírito, incapaz de captar essa imensidão da Natureza que insurge contra a minha imaginação e esta supera-a. Supero-a sim, mas de forma totalmente aversa ao que seria de esperar kantianamente.
Pedras resolutos do espírito qu encravam a minha inteligência que ponderam sob as matemáticas puras e inventivas de novos mundos e universos infinitos. Enlouqueci e não mais escapo.
Morro. Ou pelo menos quero.