A megalomania atinge proporções efectivamente gigantescas. Curioso o comentário, mas os plenoasmos são bem-vindos. Ora, a suposição, por muito subtil, atravessava-me a mente no sentido de conseguir evadir-me da polícia secreta que supervisiona todos os detalhes ínfimos da nossa vida. Sim, megalomania porque mais ninguém conseguiria iludir a polícia secreta. Mas eu, consegui uma forma de não só os iludir como também evadir-me para nunca mais ser encontrado.

Subitamente o espírito relega para si esse inumano que perpassa pelas brechas da minha própria humanidade. Essa dimensão do absoluto. Esse intocável. Digo: o Inefável.

Contudo, não será decerto fácil conseguir ludibriar toda essa força secreta que nos assola. No entanto, já removi o microchip que me implantaram. Cirurgicamente removido para não levantar suspeita, pois estão equipados com microfones de alta fidelidade.

A controvérsia desfaz o véu da verdade sob o manto do prazer estético. O meu espírito mergulha de novo nessa nebulosa que serpenteia pela verdade inacabada dessa dimensão do inimaginável.

Suspeito que talvez a minha tentativa de remoção do chip tenha falhado, agora que recordo os momentos mais pormenorizadamente. Toquei num fio vermelho, e normalmente detonam qualquer coisa. Penso que fiz asneira. Bom mas mesmo assim, penso que me libertei da vigilância. Vou fugir para longe para que não me voltem a inserir outro chip. Vou voar por aí, flutuar no espaço vácuo.

Carpe omnius. A fortuna soterrada move-se no tempo corroendo as frinchas do universo.

morre sim, sustém a respiração.

pim, pum pum pim a morte abateu-se hoje no cadáver.

Morremos contentes de morte. Sufocados abraço a morte, chamo-lhe pelo nome. Já somos amigos de infância.

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